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Sociedade, Direitos Humanos e a Advocacia Criminal

Por Anderson Figueira da Roza

As grandes cidades brasileiras estão passando por este momento de criminalidade intensa, é inegável. A cada semana recebemos notícias de crimes bárbaros, cometidos por banalidades muitas vezes. No entanto, assisto com perplexidade a mídia se concentrar em notícias que buscam distorcer conceitos históricos sobre os direitos humanos e também sobre os advogados criminalistas.

O absurdo mais ouvido é que os Direitos Humanos foram criados para proteger os vagabundos. Formar uma opinião tão simplista de conceitos que envolvem os Direitos Humanos é vergonhoso. Direito Humanos servem para todas as pessoas de uma sociedade. É o exercício pleno da cidadania, que deveria garantir o mínimo necessário para não vivermos numa selvageria.

Creditar aos Direitos Humanos os índices de criminalidade é a mesma coisa que aplicar placebo ao invés do remédio indicado para uma doença. A sociedade sempre foi violenta, crimes hediondos e bárbaros sempre vão acontecer no Brasil e no mundo. Se você tem dúvida, é só conversar com pessoas que se dizem defensores dos Direitos Humanos se eles ficam felizes quando uma vítima é morta. A sociedade sofre como um todo.

Na mesma linha de raciocínio, os advogados criminalistas são estigmatizados como advogados de bandidos, ou mesmo de bandidos. É muito fácil simplificar aquilo que eu repudio no outro, mas é muito difícil entender que você precisa de Direitos Humanos na fila de um hospital público, quando chama a polícia e ela não chega, quando precisa de remédio que custa muito caro e você vai tentar se socorrer do Estado, quando seu filho precisa concorrer e ser aprovado numa Universidade pública, e etc.

Obviamente para a opinião pública é muito mais fácil odiar e querer penas altas, cruéis e de preferência instantâneas para o desconhecido. Agora, quando a acusação é contra si mesma, ou um dos seus, queremos que sejam respeitados todos os nossos seus direitos, e que o advogado contratado faça de tudo para preservar os nossos direitos.

Contradições? Sim, o ser humano é contraditório por natureza. É assim que somos. Mas quem consegue enxergar e perceber que os advogados criminalistas não são a favor dos criminosos, que não ficam felizes com a violência, e que os direitos humanos devem ser garantidos para todos? A pessoa evolui e verifica que os nossos problemas sociais, culturais e econômicos são muito mais profundos do que essas míopes discussões.

Esse é o trabalho dos defensores humanos: é em nome dessas garantias que os advogados criminalistas exercem suas habilidades, por isso é tão complexo, é tão assustador nos darmos conta da realidade, e se torna mais fácil elegermos culpados pela criminalidade.

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